sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Very conceptual and terrific dark photo


Às vezes, penso que penso geralmente muitas vezes e com muita certeza, que me acontecem coisas estranhas. Falo em estranho, naquele sentido não-satânico do termo, mas qualquer coisa entre o freudiano e o místico, daquele misticismo que brota dos testemunhos dos programas de tv ou de qualquer guia astrológico vendido até aos 3 euros. Esta semana, ou próximo desta semana, começou uma série. Flashforward que, em linguagem de tradutor mal amanhado, significará qualquer coisa entre flashs  do futuro, flashs sobre o futuro, avanço, previsão, feeling, impulso. A forma como fui estreitanto a coisa, acompanha a forma como a coisa, no seu significado, se foi estreitando na minha cabeça. A série seria só engraçadota se, não tivesse eu, os sonhos que tenho. Não está ainda bem definido, se a humanidade adormeceu e sonhou ou se adormeceu e viu ou se adormeceu e sentiu ou se adormeceu e imaginou ou se adormeceu e especulou. Mas a humanidade, viu qualquer coisa com os olhos fechados e é aqui que eu entro com a minha cabeça pesada. Mas porque porra é que eu sonho com coisas sérias? Sonhei comigo, com ele e com elas. Estávamos mais velhos e eu estava lá, incluida mas fora. Na verdade, houve uma coisa que me forçou o pensamento (ando a procurar embrutecer-me, fazer-me burra, como sei que passo bem por essa personagem - como por quase todas-, conto que o processo seja ultra-rápido). Acordei, a lembrar-me que durante o sonho, pensei. Pensar durante um sonho e depois acordar e pensar nisso é, até para mim, que fiz um curso master em matéria de neurónios (desculpem lá, mas às vezes sou mesmo obrigada a dizer a verdade), qualquer coisa de muito extenuante. Primeiro, porque pensar sobre o pensamento resulta em psicose paranóica e segundo, porque depois do sonho, devo ter dormido mais um «coche» e ainda sim, lembrava-me (processo do pensamento) de ter pensado aquilo. E então, o que eu estava a pensar, era precisamente isto: vou fazer um esforço para lhe mostrar que estou bem, que me sinto bem, vou fazer um esforço para ele não perceber que me sinto desconfortável. Parece-me, ainda assim, demasiada coisa. Isto, porque, estávamos todos mais velhos, houve portanto uma projecção qualquer sobre todos e era uma velhice credível. Eu própria, fisicamente, estava envelhecida. Nunca me vi assim. Depois, porque, além de pensar, estava a sentir. Lembro-me que estava a sorrir, a pensar e a sentir. Demasiada coisa para um sonho, não? Isto tudo, a propósito da série. Sonhei, consegui miraculosamente, desligar-me da cena, até que dei com a estreia de sábado à tarde. A imagem tem destas coisas. Talvez se tivesse lido num jornal, se fosse uma crónica, não tivesse efeito sobre mim, mas as figuras exercem sobre a minha cabeça, a concretização daquilo que quero e que não quero ver, ou seja, tudo. As formas dão cabo de mim.
Bem, a única pergunta que me ocorre, depois desta coisa banal que é assistir ao episódio de uma série de televisão com um enredo mais batido que clara de ovo em castelo é: olha se me dá praí?

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