« Não confio no que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda. Não confio no que me aconteceu. Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo facto de não a saber como viver, vivi uma outra? A isso quereria chamar desorganização, e teria a segurança de me aventurar, porque saberia depois para onde voltar: para a desorganização anterior. A isso prefiro chamar desorganização pois não quero me confirmar no que vivi - na confirmação de mim eu perderia o mundo como eu o tinha, e sei que não tenho capacidade para outro»
Lispector
é isto. Só que a desorganização eu substituo por crença.
o que vale é que há sempre malta (que desrespeito) mais esperta, que diz e sente o mesmo que nós mas consegue dar às coisas uma legitimidade universal. Este sentimento, assim descrito, é de uma vulgaridade assustadora e apaziguadora também.
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